Não, sou brasileiro. É quase a mesma coisa. Quando um estrangeiro famoso arranha a nossa língua
todos celebramos.
Não deveria ser assim... Experimenta ir a terra deles sem
saber a língua local. Eles te ignoram.
O curioso é que alguns até sabem o que você está falando (ou
entendem o contexto), mas só te respondem se for na língua deles. Diferente de todos os outros povos, o
Brasileiro se adapta. Nossa cultura é uma colcha de retalhos de referencias
europeia, americana, asiática e até africanas. Nada “genuinamente” nacional.
Sou velho o bastante pra lembrar do Gurgel e do Miura, duas
montadoras nacionais que não chegaram á virada do milênio. E ainda falando de
carros, da Coopersucar, que levou o Emerson Fitipaldi pro circo da Fórmula 1
nos anos 70. Outros podem ser ainda mais
velhos e se lembrar da Bossa Nova e dos Mutantes, por exemplo... Existem outros
exemplos, mas só me lembro destes e mesmo assim, são exemplos de “versões
nacionais”.
Não estou desmerecendo a Bossa Nova (que vende mais no Japão
do que aqui) e o Samba (possivelmente a única manifestação genuinamente
nacional) , afinal, os dois também são casos de adaptações que fizeram sucesso
mundial e se voltaram a nosso favor. Garota de Ipanema virou música de
elevador e se tornou o estereótipo do Brasil. Coisinha do Pai foi usada para despertar a sonda marciana.
Steve Wonder cantou Garota de Ipanema e Coisinha do Pai...
Belle e Sebastian cantaram Minha Menina dos Mutantes... E dai?
Depois de tanto tempo babando pela cultura dos outros,
sermos citados por algo que surgiu aqui – e ganhou o mundo - só significa que temos méritos e eles fizeram o trabalho de casa
direito (ou realmente gostam do que citaram). O que é curioso, Afinal, poucos brasileiros conhecem a história da sonda marciana e a Bossa Nova não emplaca mais no Brasil funkeiro.
Quando você viaja pra terra deles e conhece o que eles
produzem causa alguma comoção? Eles estão fazendo o mesmo. Só isso.
Em 2011, o Brasil é um pais em Ascenção que se não
respeitado, deve ser devidamente adulado. Só o Brasileiro que não sabe disso. Infelizmente,
o brasileiro está tão acostumado a babar o ovo dos outros que acha isso um puta
respeito a nossa cultura, o que é engraçado, sabe?
“Nossa, fulano de tal
nos reverenciou ao falar isso ou aquilo”!
Vai que ele só falou do que gosta ou simplesmente está
fazendo política da boa vizinhança com quem vai ajuda-los a limpar a própria sujeira? O problema é que ver esse
povo como só outro povo mata a relação divina que temos com eles. O mundo
mudou, mas continuamos com a cabeça de colônia.
Uma pena.
