sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Eu quero ser mico de circo...


Eu quero ser mico de circo...
Não, sou brasileiro. É quase a mesma coisa.  Quando um estrangeiro famoso arranha a nossa língua todos celebramos.
Não deveria ser assim... Experimenta ir a terra deles sem saber a língua local.  Eles te ignoram.
O curioso é que alguns até sabem o que você está falando (ou entendem o contexto), mas só te respondem se for na língua deles.  Diferente de todos os outros povos, o Brasileiro se adapta. Nossa cultura é uma colcha de retalhos de referencias europeia, americana, asiática e até africanas. Nada “genuinamente” nacional.
Sou velho o bastante pra lembrar do Gurgel e do Miura, duas montadoras nacionais que não chegaram á virada do milênio. E ainda falando de carros, da Coopersucar, que levou o Emerson Fitipaldi pro circo da Fórmula 1 nos anos 70.  Outros podem ser ainda mais velhos e se lembrar da Bossa Nova e dos Mutantes, por exemplo... Existem outros exemplos, mas só me lembro destes e mesmo assim, são exemplos de “versões nacionais”.
Não estou desmerecendo a Bossa Nova (que vende mais no Japão do que aqui) e o Samba (possivelmente a única manifestação genuinamente nacional) , afinal, os dois também são casos de adaptações que fizeram sucesso mundial e se voltaram a nosso favor.  Garota de Ipanema virou música de elevador e se tornou o estereótipo do Brasil. Coisinha do Pai foi usada para despertar a sonda marciana.  
Steve Wonder cantou Garota de Ipanema e Coisinha do Pai... Belle e Sebastian cantaram Minha Menina dos Mutantes... E dai?
Depois de tanto tempo babando pela cultura dos outros, sermos citados por algo que surgiu aqui – e ganhou o mundo - só significa que  temos méritos e eles fizeram o trabalho de casa direito (ou realmente gostam do que citaram).  O  que é  curioso, Afinal, poucos brasileiros  conhecem a história da  sonda marciana e  a Bossa Nova não emplaca  mais no Brasil funkeiro.
Quando você viaja pra terra deles e conhece o que eles produzem causa alguma comoção? Eles estão fazendo o mesmo. Só isso.
Em 2011, o Brasil é um pais em Ascenção que se não respeitado, deve ser devidamente adulado. Só o Brasileiro que não sabe disso. Infelizmente, o brasileiro está tão acostumado a babar o ovo dos outros que acha isso um puta respeito a nossa cultura, o que é engraçado, sabe?
 “Nossa, fulano de tal nos reverenciou ao falar isso ou aquilo”!
Vai que ele só falou do que gosta ou simplesmente está fazendo política da boa vizinhança com quem vai ajuda-los a limpar a  própria sujeira? O problema é que ver esse povo como só outro povo mata a relação divina que temos com eles. O mundo mudou, mas continuamos com a cabeça de  colônia.
Uma pena.